Capítulo 3 - Le Pardieu

When I was just a boy

Le pardieu

LE PARDIEU

Do outro lado da rua, de frente para as muradas da colina da Torre de Randal erguia-se um edifício que parecia um amontoado de casas e torrezinhas. Embora um tanto quanto caóticas em sua arquitetura eram convidativas, aconchegantes e elegantes. É chamado de Le Pardieu.

Estava um tanto quanto movimentado. Todos cochichando sobre uma explosão na Torre do Místico e uma nauseante e densa nuvem de fumaça que entrou pelas janelas do escritório do Escriba e Tabelião Hookerbrook.

Dalilia servia as mesas do café, mas estava muito nervosa. As pessoas falavam cada coisa que a deixavam com ainda mais medo. Trabalhar tão próximo da torre de um mago poderia ser realmente perigoso. Ela viu Kolard e Mowt, dois dos guardas do contingente que patrulhava este lado do córrego. Não gostava deles, eram muito abusados, mas precisava saber o que estava acontecendo e quem mais informado sobre isso do que os homens que foram acionados e ouviram o relato da Senhora Sahane, vizinha do mago?

A garçonete dançou por entre as mesas, onde muitas pessoas se aglomeravam e teciam causos e se aproximou dos dois guardas.

- Com licença Kolard. Sabe o que aconteceu? – perguntou Daillia receosa de como aquele verdadeiro imbecil reagiria.

- Olá coisa linda. Você está cada dia mais deliciosa – disse o guarda com cara de salafrário.

- Kolard por favor…

Subitamente, Senhor Hookerbrook desceu as escadarias do Hall do Le Pardieu que dava no Café Kaillis. Estava nervoso, com suas gulosas bochechas vermelhas e seu bigode amarelado e úmido. Seus olhos afundados sob as densas sobrancelhas cuspiam fogo. Era uma visão mais cômica do que ameaçadora.

- Onde está ela? Onde está ela. Eu sei que ela veio aqui. Onde está ela? – esbravejava o tabelião a plenos pulmões. Fazendo Daillia se retrair abraçando a bandeja enquanto ele passava.

Do outro lado do Hall, no alpendre que dava para a escadinha e para a rua, todos olharam assustados. Lá no balcão da padaria, Wot, o filho do padeiro levou a mão à boca e respondeu.

- Senhor Brook! Senhor Brook!

- Quem me chama? Oh! Céus! Quem me chama? – titubeou o tabelião girando nos próprios calcanhares enquanto enxugava a testa suada com um lenço. Por fim enxergou o filho do padeiro no balcão, do outro lado do Hall do Le Pardieu.

- Senhorita Wandaelis comprou um cesto de pães recheados e já saiu.

- Oh! Mas que diabos! – Praguejou o tabelião ao ver os dois elfos e amigo do anão do ar da estalagem abrindo o portão da colina.

Chrono arrastava Harimau que insistia em dizer que não tinha dito nada demais para a Senhora Sahane. Entre outras coisas, porque sessenta por cento das coisas que ele estava dizendo Chrono não fazia a menor ideia do que realmente seria.

Lia bateu à porta apressada, sentia que deveriam entrar logo ou não conseguiriam. Do outro lado da rua uma multidão se aglomerava nos alpendres do Le Pardieu. E um velho batia canelas na direção da torre quase sendo atropelado por Tim e Sagro em seu carroção cheio de tomates-do-rei.

Mal a porta foi aberta eles entraram. Quando o tabelião se recompôs todos já tinham entrado e ele suspirou alto e não avançou. Pelo menos por enquanto.

Capítulo 3 - Le Pardieu

Zaev, Magia, Glória & Sangue Xaal